O Vice-Cônsul, de Marguerite Duras, é um romance que entrelaça duas histórias aparentemente distantes: a jornada desesperada de uma mendiga que viaja desde Battambang até Calcutá, perdendo progressivamente a memória e a identidade, e a derrocada lenta do vice-cônsul de Lahore, cuja ação violenta contra os leprosos o transforma numa figura marginal.
A figura enigmática de Anne-Marie Stretter serve como eixo central, unindo estas existências errantes num universo marcado por atmosferas sombrias, silenciosas e desprovidas de enredo convencional. A obra reflete o estilo depurado e minimalista característico de Duras, onde a solidão, a despersonalização e a busca por identidade se entrelaçam num cenário de marginalidade e desespero.




